Transição de cidade: Rumo ao descobrimento de você mesma.

foto: @senivpetro
Foto: @senivpetro


Aquele frio na barriga de mudar de cidade... Recomeçar, ansiedade a mil com todas as expectativas na bagagem.
E no meu caso: 19 anos de idade, sem grana nenhuma e uma crença de ser super madura e preparada para tudo... Até sair de casa. 

Mudar de cidade, sair da casa dos pais, não é algo tão fácil, mas uma hora acaba acontecendo.
De uma hora pra outra, você se vê sem aquele apoio familiar e além disso, a louça e roupa suja fica só pra você e isso não é legal, mas em compensação preciso falar da parte positiva, porque afinal tudo tem os dois lados, né não? E essa parte confesso que é malucamente maravilhosa. Você entra em uma fase de desenvolvimento pessoal absurda, por diversos fatores. 

Você começa a conviver com pessoas fora do seu círculo familiar, se for morar em republica o negócio fica mais intenso, digo isso porque boa parte da minha trajetória aqui foi assim, e foi um baita aprendizado. Primeiro porque morar com uma pessoa que não é parente te faz ser mais maleável, lembro que falava muito disso com a minha mãe, porque quando moramos com a família na hora das tretas o negócio esquenta loucamente, não que isso deixe de acontecer quando mora com outras pessoas, mas é bem diferentão.
Tive a sorte de morar com gente incrível e com pessoas que são uó também.
Nesse negócio todo,tive a melhor experiência de todas. Morar com as amigas! O que foi maravilhoso para a minha vida para o meu espírito, mas nem tanto para o fígado. Festinhas, romances, lágrimas, filmes, dias de furia. Da uma baita saudade lembrar da sua amiga batendo na porta e falando: Dire... vamô tomar café. Olha, é bom de mais. Só essa parte da vida já daria um best seller.

Se virar solo com questões financeiras, da casa e do lado emocional.
Juro, isso foi e é até hoje um processo de amadurecimento que eu particularmente, senti forte quando fiquei longe dos meus pais e da minha irmã e até hoje só de lembrar eu me emociono.
Ter a responsabilidade de pagar suas próprias contas fixas e ainda fazer "sobrar" grana para o supermercado, festinhas, roupas... Gera um mini pânico todo fim de mês.
Descobrir que se você não limpar o bicho pega e as vezes pode gerar até novas formas de vida na pia, com o risco do greenpeace interditar o local, da um mini pânico também.
E a pior parte! Não ter o colo dos pais disponíveis full time, é HORRÍVEL!

Quando me mudei de Campo Grande para São Paulo, tive a sorte de fazer uma transição relativamente tranquila, foi bem aos poucos, no começo acabava indo muito para a casa dos meus pais e nos intervalos vivia  (e vivo) pendurada com eles no telefone, na época telefone era só para falar, hoje o negocio ficou mais high tech. Essa transição toda teve seu ponto final quando comecei a trabalhar, o que acabou tornando minhas visitas mais escassas, mas toda essa fase me ajudou muito a tornar esse processo o menos traumático possível, tanto para mim, quanto para minha família.

Ah e aqui vai a coisa mais importante para mim. Mesmo te mostrando o que eu fiz e vivi tenho que te dizer que acredito que todos tem seu processo e que NÃO EXISTE receita pronta. A forma que eu encontrei para lidar com tudo isso é a minha fórmula mágica e isso não significa que você viva e faça as mesmas coisas, ok? O legal da vida e dos processos é você encontrar sua própria receita. No começo pode dar errado, mas aí você vai trocando os ingredientes até acertar a sua receita certa. Eu quero frisar bastante isso porque vejo que as vezes buscamos formas prontas de viver as coisas e acabamos perdendo a melhor parte. O aprendizado.

E você que quer viver essa aventurona, aqui vai meu conselho grátis. FAÇA ISSO o quanto antes, faça antes de casar, mas faça no seu momento, sem forçar nada. É um processo pessoal muito rico e absurdamente maravilhoso.
Não fique com medo de não dar conta, falo por mim mesma. A gente vira mutante na arte de fazer as coisas funcionarem. E o mais lindo disso tudo é que a gente passa a dar valor em coisas que antes eram normais e na real, isso acontece em todas as fases.
Uma coisa importante também é fazer amigos. Tenha pessoas conhecidas na cidade, ou da aloca e faça amigos novos, mas faça amigos. Atualmente to na fase aloca, porque quase todas minhas amigas fugiram do país. Isso ajuda bastante nos processos de emprego, moradia e de interação social, no rolê e dias de sofrência, é claro!


Um obrigada especial a Tati, que me pediu esse tema e a todas as pessoas que fizeram parte da minha trajetória. Gratidão por tudo. Foi emocionante.

E a você que está aqui. Obrigada por ler, se gostou compartilha o babado aqui, que eu acredito que pode ajudar muita gente.
Se quiser pedir um tema especial me manda nas redes, ou no oi@dizquedisse.com.br 
E não esquece de comentar, para eu saber o que de fato o que você tá achando.

Beijocas,
Di.





Talvez você goste

0 comentários